21.5.17

Azul

Voltei a casa.

Não foi uma decisão simples... foi preciso muita coisa. Foi necessário tempo, espaço... sanidade, deliberação...

Sou uma pessoa de afectos, de raízes, de pessoas... desde que fui mãe que todo o afastamento me doía e me magoava de uma forma muito mais aguda do que antes.

O Médio Oriente não é uma zona fácil. A mentalidade é diferente, o estilo de vida, as pessoas, o clima... em nada se parece com a Europa o que torna tudo ainda mais complicado.

Não há céu azul. Há céu azul com uma camada de pó... assim simples. Não há céu azul.

Quando não há céu viramo-nos para onde?

É nessa altura que respiramos e enchemos os pulmões de ar e decidimos que precisamos de ir. A partir do momento em que decidimos tudo acontece... proposta de trabalho nos timings certos com as condições certas, obras, casa... deixar tudo entregue e a vida ali, resolvida.

Aprendi a todos os níveis. Cresci muito a todos os níveis. Estou grata pela oportunidade, mas há sempre um tempo para parar, para fechar.

O meu chegou ali ao fim e recomeça aqui. Confuso, cansada, em adaptação, mas feliz.

Há azul. Basta-me.

7.5.17

Mães e o dia delas...

Segundo dia da mãe como mãe.
Na verdade ainda acordo a pensar na minha mãe e que é o dia dela. Só depois é que me "cai a ficha" e me apercebo que já sou mãe. Que tenho a minha pessoa pequena que grita "mamã" (normalmente em loop!!!!!).

Quase todas as mães são as melhores do mundo. São nossas. O nosso porto seguro, aquela que nos conhece desde sempre, que acerta no nosso humor, nas nossas vontades... até ser mãe a ideia do exemplo (de ser exemplo), fazia me sentido, mas agora vejo que a minha filha começa a imitar me. Começa a fazer coisas que faço e que nem me apercebo que faço... quando a vejo fazer entendo que me imitou (ou ao pai).

A minha mãe é fantástica. Tem os seus lados menos brilhantes como todos, mas é extraordinária em força e determinação. Na forma como se dá aos outros, à vida... quando a vejo revejo a minha avó. Linda, enorme, cheia de vida.

A minha avó foi sempre o pilar de tudo. A cola, a força, a vontade. Foi a independência e a presença constante.

Se a minha mãe é a melhor mãe do mundo é porque teve o exemplo da melhor. Se eu conseguir ser parte do que é a minha mãe, talvez possa a minha filha dizer um dia que eu sou a melhor mãe do mundo (na verdade somos todas)!

Feliz dia da mãe e dos filhos por esse mundo fora. Um beijinho especial para quem já não a pode abraçar ou quem nunca conseguiu fazê lo. Esses sim, são dignos de uma admiração sem limites... "Quem tem uma mãe tem tudo"!

6.4.17

Resoluções

Uma das minhas resoluções de ano novo era não abandonar este blogue. Era escrever mais do que o ano passado.

O ano passado foi um ano diferente. Foi um ano cheio de tudo o que é novo. O amor é agora incondicional e absoluto, o cansaço maior, a responsabilidade,...

Foi um ano em que me senti perdida e achada, sozinha e acompanhada, forte e fraca. Nem sempre foi fácil esta dualidade, na verdade houve alturas muito pesadas e doridas.

Não sou de queixas e talvez por isso ainda não tenha vindo aqui escrever, porque só agora consigo olhar para o que foi e ver o quanto me superei e o orgulho que tenho nas minhas escolhas e nas minhas decisões.

Ganhei uma experiência incrível a todos os níveis que nunca me abandonará. Ficou provado mais uma vez que as minhas pessoas são sempre minhas e que não há distância que acabe com isso.

Começou a Primavera e com ela as limpezas. Tão bom!

Venha de lá o novo e as mudanças! Estou pronta!

2.1.17

2017

Ontem saíram estas. Venha 2017. Venha mais vida. Cá estamos e estaremos. Let's do this!

18.7.16

Ontem há 15 anos..

Ontem há 15 anos nasceu um bebé que me encheu a vida, o tempo e os braços. Ontem há 15 anos o nosso grupo passou a rodar à volta dos horários daquele bebé pequenino e cor de rosa.
A aldeia criou o bebé... uma miúda linda, atenta, meiga, divertida, inteligente, forte, compreensiva.. tens tantas qualidades e és tão especial que não me chega este corpo para o orgulho que tenho dentro por ter participado nesse teu crescimento.
Parabéns ao super hiper pai sempre e todos os dias pela dedicação e pelo exemplo. Não sabes como agora me é essencial lembrar me de ti tantas vezes ao dia e pensar "como é que ele fez isto sozinho?"!
Saudades aos milhões dos dois venha mais um ano cheio de sorrisos vossos!

18.5.16

O Zé merece um post

O Zé merece um post.

O Zé era dos meus amigos mais velhos. Não dos mais antigos, mas dos mais velhos. O Zé teria idade para ser meu avô. Ele era aliás um avô orgulhoso.

O Zé era Eng. Civil e adorava golf e ténis... ler, discutir, fazer...

O Zé nasceu em Angola e foi um self-made man (não sei a expressão em português). O Zé esteve na guerra. 

O Zé tinha histórias tão horríveis como maravilhosas. O Zé era um óptimo contador de historias. Dos melhores que já ouvi.

O Zé era o chamado "brilhante de cabeça". Adorava questionar tudo. Às vezes até irritava. Outras vezes era só (tão) bom.

Conheci o Zé com 19 anos e nunca mais desapareceu da minha vida. O Zé existia sempre. Estava sempre.

Discutimos muito. Ao início metia-me medo pelo pragmatismo e pela forma tantas e tantas vezes dura com que dizia as coisas. Depois frustrava-me porque me parecia que não me levava a serio. Conheceu me miúda e assumir que eu tinha crescido e que era capaz, foi um desafio. Consegui provar-lhe (acho!) que com o meu crescimento tinha vindo a responsabilidade e a segurança. Começámos a ver-nos mais de igual para igual.

O Zé tinha uma cabeça tão boa que se enervava com o tempo que as vezes demorávamos a chegar às conclusões a que ele chegava quase de imediato. Outras era preciso percorrermos tudo para que fosse ele a perceber que a conclusão dele não cabia naquilo que era necessário. 

Mas quando errava ou não acertava (acho que ele gostaria mais assim), assumia o erro. Não às claras, mas lá arranjava uma maneira, nem que fosse com um sorriso e um piscar de olho, que aceitava não ter visto o que devia ou feito o que era suposto.

O Zé tinha um sentido de humor extraordinário. Com poucas pessoas ri até chegar às lágrimas e com ele aconteceu várias vezes.

Era fácil ser amiga do Zé porque ele era um livro aberto. Era ao mesmo tempo muito difícil por isso mesmo. Podia haver apontares de dedo de parte a parte. Era às claras a olho nu, ao que fosse. Era sincero, era Amigo. Amigo significa isso, de dizer a verdade e de nos mostrar o que temos de mais e de menos bonito.

Deu-me tanto. Até nas discussões que me pareciam em vão de tão casmurro que era. Aprendi tanto com o método de puxar por algo que era aparentemente despropositado e que de repente ganhava sentido e nos fazia seguir.

O Zé esteve sempre, de “pedra e cal”. Nunca baixou braços, cabeça, desistiu. O Zé nunca se limitou a dizer. O Zé fez (“Ouve um tempo em que eu acreditei em palavras” – São Francisco de Assis).

Todos tivemos um tempo para nos enamorarmos do Zé.

O apelido do Zé era Guerra. E é essa a imagem que tenho... a de um guerreiro, até ao fim.

Não gosto de falar do Zé no passado. O Zé partiu ontem mas nunca se irá embora porque a marca que deixa é tão grande que isso não seria possível. Perdemos e gastamos tempo com tanto que não importa e o tempo escapa-se-nos e perdemos oportunidades de ver e dizer o quanto somos amados. O Zé era-o. Por tantos!

O Zé declamava poesia lindamente e fica aqui o último poema que tive o privilégio de o ouvir recitar. Como não há coincidências, nele o revejo tanto:

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também
.” Oswaldo Montenegro”

Obrigada querido Amigo por tudo e por tanto. Por tantas emoções que ficaram gravadas para sempre.

Ate já!

12.5.16

Dia dos anos...

Não é segredo que o dia dos meus anos é o meu dia mais feliz do ano.

Este ano, já deitada e antes de adormecer pus me a pensar no porquê  de me sentir assim. Neste dia não há nada que me aborreça, nada que me entristeça, é um dia de rainha. Bom. Limito-me a vivê-lo com um sorriso, cheia por dentro.

Relemebrei os meus aniversários. Aqueles de que me lembro e aqueles que estão registados em álbuns lá em casa (Obrigada mãe!). Sempre tive festa. Os meus pais sempre me fizeram festas. Sempre em casa.
Começou por ser isso eu acho. O dia em que os meus amigos vinham brincar na minha casa com os meus brinquedos. O dia de agradecer terem vindo e estado. O dia de agradecer os parabéns. 

Nos primeiros anos eram só os meus primos e os filhos dos amigos dos meus pais. Depois veio a infantil, a primária, o ciclo, o secundário, a faculdade e a vida profissional. Os meus amigos fizeram me duas festas de anos surpresa, uma delas nos meus 18 anos. Quase um baile, com raparigas de vestidos compridos e rapazes de fato e gravata...

Revendo mentalmente as minhas festas sorrio a pensar que há até hoje amigos desde a primeira festa e aqueles que desde que foram a primeira vez nunca mais falharam nenhuma. É nesses o foco... são os que estão sempre... a distância não me afectou ou prejudicou amizades. Só as fortaleceu.

Sou uma mimada insuportável pelos meus amigos que são muitos. Aqueles com provas dadas de amizade, aqueles que são quase um casamento, ultrapassam os dedos dos pés e das mãos. Sou uma sortuda. Diria a minha avó que não acreditava na sorte “alguma coisa deves ter feito!”..

Não é um dia igual aos outros como para muitas pessoas. É o meu dia. O dia em que eu nasci, em que eu recomeço. A passagem de ano é feita no meu dia de anos e não em Janeiro. Gosto de celebrar a vida neste dia, a minha que é boa, tão boa, mesmo quando o é um bocadinho menos.

Felizmente calha na Primavera e faço todas as limpezas de que preciso. Recomeço o ano com a "casa" limpa!

No ano em que estive em Madrid não afectou a distância porque fui passar o fds a casa e consegui jantar e fazer piquenique com os meus. O ano passado foi o primeiro longe de casa. Tal como este ano não deixou de ser um dia bom, especial, tranquilo e sereno. O ano passado estava grávida e a transbordar de felicidade, este ano já sou mãe e não há nada melhor. Descobri no dia dos meus anos que está a nascer o primeiro dente da minha filha e foi o melhor presente de anos.

Pegando no que dizia a minha avó de quem morro de saudades, “alguma coisa deves ter feito!”... Não sei o que terá sido, mas espero continuar a fazer o que quer seja que fiz para vos merecer. Obrigada pelos Parabéns e por todos os outros dias em que me dão sorrisos, me puxam as orelhas, me dão  abraços e me aceitam como eu sou. Boa pessoa ou menos boa pessoa, mas a mim.


Obrigada vida minha.