18.7.16

Ontem há 15 anos..

Ontem há 15 anos nasceu um bebé que me encheu a vida, o tempo e os braços. Ontem há 15 anos o nosso grupo passou a rodar à volta dos horários daquele bebé pequenino e cor de rosa.
A aldeia criou o bebé... uma miúda linda, atenta, meiga, divertida, inteligente, forte, compreensiva.. tens tantas qualidades e és tão especial que não me chega este corpo para o orgulho que tenho dentro por ter participado nesse teu crescimento.
Parabéns ao super hiper pai sempre e todos os dias pela dedicação e pelo exemplo. Não sabes como agora me é essencial lembrar me de ti tantas vezes ao dia e pensar "como é que ele fez isto sozinho?"!
Saudades aos milhões dos dois venha mais um ano cheio de sorrisos vossos!

18.5.16

O Zé merece um post

O Zé merece um post.

O Zé era dos meus amigos mais velhos. Não dos mais antigos, mas dos mais velhos. O Zé teria idade para ser meu avô. Ele era aliás um avô orgulhoso.

O Zé era Eng. Civil e adorava golf e ténis... ler, discutir, fazer...

O Zé nasceu em Angola e foi um self-made man (não sei a expressão em português). O Zé esteve na guerra. 

O Zé tinha histórias tão horríveis como maravilhosas. O Zé era um óptimo contador de historias. Dos melhores que já ouvi.

O Zé era o chamado "brilhante de cabeça". Adorava questionar tudo. Às vezes até irritava. Outras vezes era só (tão) bom.

Conheci o Zé com 19 anos e nunca mais desapareceu da minha vida. O Zé existia sempre. Estava sempre.

Discutimos muito. Ao início metia-me medo pelo pragmatismo e pela forma tantas e tantas vezes dura com que dizia as coisas. Depois frustrava-me porque me parecia que não me levava a serio. Conheceu me miúda e assumir que eu tinha crescido e que era capaz, foi um desafio. Consegui provar-lhe (acho!) que com o meu crescimento tinha vindo a responsabilidade e a segurança. Começámos a ver-nos mais de igual para igual.

O Zé tinha uma cabeça tão boa que se enervava com o tempo que as vezes demorávamos a chegar às conclusões a que ele chegava quase de imediato. Outras era preciso percorrermos tudo para que fosse ele a perceber que a conclusão dele não cabia naquilo que era necessário. 

Mas quando errava ou não acertava (acho que ele gostaria mais assim), assumia o erro. Não às claras, mas lá arranjava uma maneira, nem que fosse com um sorriso e um piscar de olho, que aceitava não ter visto o que devia ou feito o que era suposto.

O Zé tinha um sentido de humor extraordinário. Com poucas pessoas ri até chegar às lágrimas e com ele aconteceu várias vezes.

Era fácil ser amiga do Zé porque ele era um livro aberto. Era ao mesmo tempo muito difícil por isso mesmo. Podia haver apontares de dedo de parte a parte. Era às claras a olho nu, ao que fosse. Era sincero, era Amigo. Amigo significa isso, de dizer a verdade e de nos mostrar o que temos de mais e de menos bonito.

Deu-me tanto. Até nas discussões que me pareciam em vão de tão casmurro que era. Aprendi tanto com o método de puxar por algo que era aparentemente despropositado e que de repente ganhava sentido e nos fazia seguir.

O Zé esteve sempre, de “pedra e cal”. Nunca baixou braços, cabeça, desistiu. O Zé nunca se limitou a dizer. O Zé fez (“Ouve um tempo em que eu acreditei em palavras” – São Francisco de Assis).

Todos tivemos um tempo para nos enamorarmos do Zé.

O apelido do Zé era Guerra. E é essa a imagem que tenho... a de um guerreiro, até ao fim.

Não gosto de falar do Zé no passado. O Zé partiu ontem mas nunca se irá embora porque a marca que deixa é tão grande que isso não seria possível. Perdemos e gastamos tempo com tanto que não importa e o tempo escapa-se-nos e perdemos oportunidades de ver e dizer o quanto somos amados. O Zé era-o. Por tantos!

O Zé declamava poesia lindamente e fica aqui o último poema que tive o privilégio de o ouvir recitar. Como não há coincidências, nele o revejo tanto:

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também
.” Oswaldo Montenegro”

Obrigada querido Amigo por tudo e por tanto. Por tantas emoções que ficaram gravadas para sempre.

Ate já!

12.5.16

Dia dos anos...

Não é segredo que o dia dos meus anos é o meu dia mais feliz do ano.

Este ano, já deitada e antes de adormecer pus me a pensar no porquê  de me sentir assim. Neste dia não há nada que me aborreça, nada que me entristeça, é um dia de rainha. Bom. Limito-me a vivê-lo com um sorriso, cheia por dentro.

Relemebrei os meus aniversários. Aqueles de que me lembro e aqueles que estão registados em álbuns lá em casa (Obrigada mãe!). Sempre tive festa. Os meus pais sempre me fizeram festas. Sempre em casa.
Começou por ser isso eu acho. O dia em que os meus amigos vinham brincar na minha casa com os meus brinquedos. O dia de agradecer terem vindo e estado. O dia de agradecer os parabéns. 

Nos primeiros anos eram só os meus primos e os filhos dos amigos dos meus pais. Depois veio a infantil, a primária, o ciclo, o secundário, a faculdade e a vida profissional. Os meus amigos fizeram me duas festas de anos surpresa, uma delas nos meus 18 anos. Quase um baile, com raparigas de vestidos compridos e rapazes de fato e gravata...

Revendo mentalmente as minhas festas sorrio a pensar que há até hoje amigos desde a primeira festa e aqueles que desde que foram a primeira vez nunca mais falharam nenhuma. É nesses o foco... são os que estão sempre... a distância não me afectou ou prejudicou amizades. Só as fortaleceu.

Sou uma mimada insuportável pelos meus amigos que são muitos. Aqueles com provas dadas de amizade, aqueles que são quase um casamento, ultrapassam os dedos dos pés e das mãos. Sou uma sortuda. Diria a minha avó que não acreditava na sorte “alguma coisa deves ter feito!”..

Não é um dia igual aos outros como para muitas pessoas. É o meu dia. O dia em que eu nasci, em que eu recomeço. A passagem de ano é feita no meu dia de anos e não em Janeiro. Gosto de celebrar a vida neste dia, a minha que é boa, tão boa, mesmo quando o é um bocadinho menos.

Felizmente calha na Primavera e faço todas as limpezas de que preciso. Recomeço o ano com a "casa" limpa!

No ano em que estive em Madrid não afectou a distância porque fui passar o fds a casa e consegui jantar e fazer piquenique com os meus. O ano passado foi o primeiro longe de casa. Tal como este ano não deixou de ser um dia bom, especial, tranquilo e sereno. O ano passado estava grávida e a transbordar de felicidade, este ano já sou mãe e não há nada melhor. Descobri no dia dos meus anos que está a nascer o primeiro dente da minha filha e foi o melhor presente de anos.

Pegando no que dizia a minha avó de quem morro de saudades, “alguma coisa deves ter feito!”... Não sei o que terá sido, mas espero continuar a fazer o que quer seja que fiz para vos merecer. Obrigada pelos Parabéns e por todos os outros dias em que me dão sorrisos, me puxam as orelhas, me dão  abraços e me aceitam como eu sou. Boa pessoa ou menos boa pessoa, mas a mim.


Obrigada vida minha.

2.5.16

Dia da Mãe

Neste dia, o ano passado, eu já sabia que estava grávida. Não tínhamos contado a ninguém mas vivi-o intensamente. Já me considerava uma privilegiada por ter um bebé na barriga. Não sabia se era rapaz ou rapariga e nem me interessava. Queria muito ser mãe e no dia da mãe do ano passado já me sentia uma.

Sou mãe há 5 meses e uma semana. Tive uma gravidez e um parto abençoados. Não tenho traumas. Repetia tudo outra vez agora (pedia a epidural 2h antes, vá...).

Durante a gravidez tive medo de muitas coisas. Cada véspera de consulta e de ecografia eram stressantes. Principalmente antes de a começar a sentir... "e se há algo que não esta bem?" Esteve sempre felizmente. 

Mas os medos eram também outros: será que vou saber o que fazer? Será que vou ser boa mãe? Será que a minha filha vai ser feliz? Como e que vai ser a nossa vida? Estamos os dois sozinhos no Dubai, nenhum de nos tem qualquer experiência do que e ser pai/mãe, saberemos o que fazer? Será que vou conseguir gerir vida profissional, ser mãe, mulher, amiga, filha...?

Entretanto a minha filha nasceu. E aquele cliché típico do “quando a puseram em cima de mim”... mas foi. Foi avassalador. Se a amava aqui dentro, quando a vi e lhe toquei, lhe dei festinhas e lhe disse “olá bebé! Eu e que sou a mãe” fiquei cheia por dentro de um amor que todos os dias aumenta um bocadinho.

E assustador ser mãe. O que tem de maravilhoso tem de assustador. O saber que tenho de a deixar ser com a vontade que às vezes tenho de a ter cá dentro outra vez e de sermos só as duas, sem mais mundo, sem mais palpites, sem perigos...

Depois há o reverso... os risos e as conversas que temos as duas e aquilo que nos rimos os dois com ela. Por ela somos mais e maiores. Reinventamo-nos todos os dias. Revejo o que sou para que me torne aquilo que quero que ela veja e seja, pelo exemplo sempre.

Ser mãe é a melhor e mais completa experiência da vida e não tenho dúvida nenhuma disso. Melhor do que tê-la como minha filha é o imenso privilégio de ser mãe dela.

Os meus parabéns a minha mãe pelo exemplo e por tudo o que me deu e dá sempre e o meu obrigada a todas as minhas mães que com a experiência e a conduta me inspiram e me mostram que se for feito com e por amor, está sempre bem feito.

Uma homenagem as mães que o são sozinhas porque o escolheram ou porque a vida assim o quis. Se já é difícil partilhar tudo com o progenitor, sem apoio seria ainda mais aterrorizador.

Há um ano não tinha a menor noção do que é ser mãe. Ainda não tenho, mas do que sei até agora... não há nada melhor!


PS: Eu sei que o dia foi ontem, mas o cliché do "vais deixar de ter tempo para as tuas coisas" também é muito verdade e por isso só consegui vir rever isto e publicar hoje!

13.3.16

Recuperar

Não tenho um blog temático. Não tenho seguidores fixos (penso eu, porque se os tivesse já teriam desistido de me ler), nem pretendo conquistá-los.

Este blog começou quando eu estava em Erasmus porque era a forma mais prática de informar os meus, de como estava e de como ía vivendo. Quando fiz Erasmus (nem vou contar os anos porque me vai doer), ainda não havia internet em casa, tinha cyber cafés e a faculdade. Não queria perder muito tempo a mandar emails aos meus variados grupos de pessoas e o blog uniformizou isso de alguma forma.

Sempre gostei de não ter prazos para escrever, dias, pressão. Percebi que o ano que passou foi o ano em que menos escrevi, mas que a frequência de posts tem diminuído. Penso que o facto de todos termos agora skype e whatssapp acaba por reduzir a necessidade de escrever o que se vai passando, já que quase de imediato, chego a quem quero chegar, mando fotos, partilho ideias, etc...

O ano passado foi cheio em mudanças e pegando no post anterior, não faz muito sentido ter passado 9 meses grávida e não ter nenhuma referência a esse estado. Primeira gravidez, primeira experiência de vida virada ao contrário. Poderia ter aproveitado para escrever, mas vivi tanto este bebé e as transformações todas que se sucediam que não me apeteceu.

Um filho muda tudo. É cliché porque é verdade.

Hoje uma das minhas melhores amigas foi mãe. Hoje a minha irmã deu entrada no hospital para que nasça a minha sobrinha.

Não quero que este blog seja um blog de bebés, nem de mães, mas a verdade é que a maternidade é um mundo e a vontade de escrever sobre isso, agora que estou mais encaixada na realidade é muita.

Não sei quando vou escrever mais nem sobre que tema. Esta liberdade de blog é óptima!

1.1.16

2015-2016


2015 foi um ano de mudanças... mudei de país, de continente, de trabalho, de equipa, de ambiente,... a maior mudança foi Ela... 39 semanas e dois dias... o maior amor de sempre!




Venha 2016... a maior aventura da minha vida já começou há um mês e 7 dias!


16.8.15

Meio caminho

Estou no aeroporto de Frankfurt à espera do embarque para o Dubai. 
Claro que os dias em casa não me chegaram nem para 1/3 de tudo o que queria fazer e para ver quem queria. 
Não parei um segundo e ainda assim não fiz quase nada do que me tinha proposto.

Era expectável que as despedidas custassem cada vez menos com a prática. Depois deste tempo a viver longe, com tanta ida para o aeroporto e tanto "até já", eu esperava que o meu cérebro não processasse a verdade que dói: que o "até já", na grande maioria dos casos é até para o ano...

Criticamos demais o nosso país... Entre hábitos, política e crise, criamos uma barreira que nos impede de ver o que tem de maravilhoso e fantástico. Precisamos de facto de sair para sentir saudades do cheiro, do vento e da comida... Daqueles que nos fazem falta todos os dias e do prazer de ir comer uma arrofada como dizia a V no outro dia. 

Eu tenho saudades de casa todos os dias. Saí por opção e não tenho data de regresso. Espero-a breve a ver se acabo de vez com os "até já" que "até já chateiam"!