28.12.11

Tempos raros

São sempre tempos raros.
São momentos roubados ao tempo!
A Nana vem uma vez por ano nos mais de dez anos que existe na minha vida.
São raras as vezes em que conseguimos tê-la aqui mais do que duas semanas, sempre ocupadas e cheias.

O jantar de anos é obrigatório. É a ponte para o Natal, é o início das minhas festividades.

Os tempos em jantares, com todos os amigos não dão para nós... para conversas contidas que as cartas (sim, as cartas porque nos escrevemos de facto), não bastam.

Por isso ontem, recebê-la já tarde em casa, para um chá, foi recuperar parte do que temos e que se constrói a cada ano. Os tempos mágicos vividos e o que virá, enchem um mundo de tópicos possíveis.

Precisava do desabafo, da partilha, de nos sentir "nós" outra vez.

E ela é o que sempre foi, sempre presente apesar de morar do outro lado do mundo.

Tenho um orgulho desmedido dela e do que sempre me dá em optimismo e força.

E tenho saudades dela todos os dias quando não está.

Tempos raros com sabor agri-doce...

21.12.11

Está a custar-me não estares cá.
Não saber nada de ti.
Precisava mesmo que me entrasses pela porta com uma garrafa de cartuxa e ocupasses o sofá e me obrigasses a desabafar.

Custa-me não saber de ti, não saber se chegas para o Natal. Quero acreditar que sim. Quero acreditar que no máximo daqui a dois dias recebo uma chamada a dizer:  "Bu, cheguei! Como queres fazer? Em tua casa ou na minha?"

Preciso de deitar fora... palavras e não esta tosse.

Preciso de um tempo longe do mundo e que me digas que não é nada, que vai passar, que eu já sei como é, que não importa, que tenho de perdoar, que não entende... tudo coisas que me dizem, mas que ditas por ti são mais credíveis e eu nunca entendi porquê...

Poucas vezes supliquei que voltasses, mas desta vez suplico mesmo, porque a minha vontade é enfiar-me daqui a duas horas num avião para longe daqui...

18.12.11

Questão urgente...

A menos de uma semana do Natal e ainda não fiz a árvore e nem sequer montei o presépio....

16.12.11

Em tom de "fim"


Aprende-se a viver com isto. 

Como uma falta de habilidade para o desenho ou para a ginástica desportiva.
Como com uma doença tipo diabetes, um nariz grande demais, um rabo inexistente…
Como a falta de magnésio, acne ou asma.
Aprendemos a viver com isto e  a não pensar no inicio, nem nos porquês da perfeição. A desvalorizar os e-mails, as datas, os locais… A não ligar nenhuma ao cheiro e ao sabor… Aos bonecos nas nuvens e às estrelas no céu.

(bastou um olhar para confirmar…)

Começa-se a achar normal que o telefone não toque e que as notícias não cheguem, nem por e-mail.

A vida segue como sempre seguiu… independe “disto”

Aprende-se a viver com isto... com/sem o teu cheiro e o teu toque colados na minha pele. sem eu ter por onde fugir, ...

Mas aprende-se… aprende-se!

14.12.11

Se eu podia ter uma sobrinha com menos personalidade?


... Poder podia, mas não era de todo a mesma coisa!

(de referir que isto é um post-it colado na porta do quarto dela - 8 anos de personalidade concentrada!)

8.12.11

8-12

Dia 8 de Dezembro é dia da N. Senhora da Imaculada Conceição.

Não sei explicar o fascínio que sempre teve em mim este dia.

Desde pequena que me lembro da missa com a avó. Era o dia em que a avó'zinha fazia a árvore de Natal e em que o avô lhe dava um presente, porque era o dia da Mãe.

Independentemente do dia ter mudado no calendário, para o avô, este sempre foi o dia das mães.

Gosto da imagem da mãe... Da Mãe... Gosto que este dia seja no Advento.

O Advento e a Quaresma são momentos essenciais no meu ano. O Advento é a preparação para a chegada, para receber... mas na preparação da vinda de Cristo, há uma preparação nossa, dentro... Ninguém pode dar se não estiver "limpo"... e é isso o Advento... e é por isso que hoje, sempre que se celebra o dia da Mãe, me comovo na missa, porque Ela foi preparada...e como mãe de Jesus, é um exemplo de Força, de Coragem e de Fé...


No Domingo passado na homilia o padre focou duas palavras importantes: Vigiai e Reparai... Num exercício que parece simples, que é o de Vigiarmos acções e pensamentos. Nossos e dos outros... Depois da análise, repararmos, consertarmos, o que for possível de ser reparado... aprendermos e perdoarmos... a nós e aos outros...

Isso é o que nos é pedido no Advento... Possamos nós, pequenos mas tão importantes, fazer esta preparação honesta, dentro do coração, com a ajuda da Mãe Maria!

Feliz dia das (M)mães!


5.12.11

o tempo diferente

Falar pelo Skype de madrugada vai-nos sempre permitindo ter momentos perdidos.
As coisas não fazem propriamente sentido quando metade da tua vida diária já foi e a minha ainda não começou.

Quando a forma como me prendo no que contas é mais intensa no momento em que te ris.. e depois ficas sério.. e depois o discurso pára porque vais enviar uma fotografia, um texto, uma música que vai ilustrar o que acabaste de dizer.

Sabes que a vida de quem fica não suspende só porque não estás... mas perde toda a magia perante a tua... tudo o que te quero contar deixa de ter importância e passa automaticamente para outro tempo, num futuro que talvez venha a acontecer.

Mas a vida aqui continua... e tudo muda... e queria que soubesses que mesmo que não to diga, é assim... uma imensidão de coisas a invadirem a minha pacata vida...

- "E tu Joaninha, novidades?"
- "Nada... tudo bem, tudo na mesma..."

4.12.11




A mãe tinha um relatório anual para fazer e precisava de silêncio... óptimo momento para eu agarrar na afilhada e passar a tarde no parque.

Fizemos um bolo na caixa da areia e "pusemos as mãos na fotografia para dizer que era nosso"; andámos nos baloiços e tinha de a empurrar com força porque queria "chegar ao céu e às estrelas"... ri-me até me cairem as lágrimas com as graças espontâneas que tem.

Tenho saudades dela todos os dias quando não a vejo... das gargalhadas que dá e da forma como diz "tia Joaninha (que voa)"...

Quando estamos estou 100% com ela... ocupa-me cada segundo do pensamento. Acaba-se o stress do trabalho, do que vem, do que foi, do que será, se será...

Passo para o mundo que a Maria vê... patos de borracha gigantes que se atravessam à frente do nosso barco, uma fada que com as asas voa às estrelas, que temos pés que não sentem o chão...

Sentamo-nos a lanchar enquanto cantamos músicas (sim... aqui não penso sequer que desafino!)...

Prolongo sempre o regresso a casa com o banho, dar o jantar e a ida para a cama... gosto quando me dá a mão e se encosta a mim a ver os desenhos animados... da forma séria como pergunta o que é que eu acho de uma ou outra cena...

Adoro a nossa cumplicidade...

Gosto essencialmente de ser ela, eu e um mundo nosso... e de o tempo parar e de nada mais importar...

1.12.11