Não sou de grandes balanços, mas peço sempre que se mantenha o essencial e o indispensável. Menos do que nos consome, menos do que não é importante. Mais presença, mais Fé, mais Obrigadas e menos, muito menos lamentos. Obrigada aos meus que são felizmente tantos e tão bons. 2018 não foi espectacular e não lhe vou sentir a falta, mas foi na medida do necessário. Obrigada! Recomeça-se todos os dias!
17.1.19
4.12.18
Frios
Este frio que nem chega a sê-lo obriga-me a recolher. Há coisas boas nisto da vida se resolver no Outono.
Fecha se agora e temos um tempo de nós, de chá, de manta. Um tempo em que é aceitável não ter coisas combinadas, não ir, não fazer.. porque está frio.
Não sei se o frio é só exterior, mas depois do Inverno frio e chuvoso, recomeça se com a Primavera... Aos poucos volta a vida, volta o calor e o sol.. os braços abrem se e agradecem o que vier, que já é bom.
Agora é preciso sentir e deixar fechar..
3.11.18
I´d rather start again...
Há uns momentos estranhos em que nos afogamos.. é extraordinária a forma como voltamos à tona, como nos reviramos, como nos limitamos a ir.
Foi escuro, foi fechado e sufocante... permitimo-nos depois respirar, abrir os olhos e ver... seguir...
Não estar sozinha, não me perder, não desaparecer.. a luz... aquele que nos faz respirar, que acalma que revira e nos traz à superfície..
A vida para ser vivida além do que nos consumiu. Guardar. Parar para poder fechar.
Agradecer e recomeçar.
A vida com tudo o que ainda pode ser. Acreditar. Ir.
(suspiro)
23.8.18
Retornos..regressos
"we return to each other like waves. That's how the water loves"...
And so you're back as I said you would...
E na verdade muda-se tudo e adapta-se tudo porque chegas e sempre foi assim. As vidas suspendem se todas porque há vida de volta ao palacete. Há luz e há música.
Gargalhadas ao abrir a porta, abraços sem que saibamos de que lado vem o próximo e tu... Tu que me fazes respirar fundo antes de me pôr em bicos dos pés para um abraço, para estar inteira naquele momento do regresso a casa.
Deixar me estar e ficar... Ir... Ser... Tentamos por ordem que a vida fique em dia. Umas histórias mais leves e outras mais pesadas, umas resolvidas e outras a resolverem se, umas de gargalhar e outras de chorar...
Que elo poderoso este que és. Fazes (me) falta todos os dias, és (me) necessário todos os dias... Pedir te que fiques não é opção e ficar vazia quando partes é rotina, mas quando estás, a (minha) vida suspende e permite me encaixar todas as peças.
Obrigada a ti todos os dias... Obrigada pela minha vida tão melhor contigo, convosco...
Obrigada!
2.8.18
A chegar
Sei que estás a chegar.
Sei porque andei mentalmente a pedir que chegasses durante meses.
Sei porque durante meses precisei que cá estivesses por todos os motivos que já te dei e muitos outros que adivinhas.
Sei porque só vens quando deixo de precisar.
Sei porque só chegas quando estou preparada para te receber.
Sei porque são já "mil anos" de estares e não estares.
Sei porque ainda que não precise, estou desejosa que chegues, por todas as razões óbvias e as menos óbvias.
Vem!
16.5.18
Agradecer
Obrigada!
15.4.18
22.3.18
Com 14m de atraso..dia Mundial da Poesia
"Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento"
Sophia de Mello Breyner Andresen
15.3.18
Pasmo
Penso em como as pessoas nos surpreendem. Naquilo que pensamos e da forma como as vemos. Aquela inteligência que existe e que num ápice me faz exclamar "que burro!".
Penso no egoísmo e na dor que se causa aos outros e depois lembro me que tudo tem um propósito: Ajudar a fechar, a acabar, a encerrar.
O ser humano tem uma forma ridícula de aprender pela experiência e normalmente pela dor e pelo arrependimento... somos uns "tristes"..
A vida é feita de escolhas. Vivemos com o resultado delas. Sempre.
8.3.18
ZM
Um fim de semana a Sul.
Um rapto para um pôr do sol que quase não iria acontecer.
Anos de vida em 1h30.
Do que sempre foi fácil e ao mesmo tempo tão difícil.
Ao que seria fácil e que se mantém difícil.
À presença que se fez ausente, presente e ausente.
Ao que este mundo não permite e que outros provavelmente já conseguiram fechar.
A um festival à beira rio.
A um Arco em Lisboa por uma promessa.
Ao andar sem destino.
A fotografias eternas.
Às lareiras e aos medronhos.. "Na noite em que bebeste medronho..."
Dos vazios e dos suspensos..
"Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência" (Fernando Pessoa)
18.2.18
And here we were...
Pus a morada no GPS (não sei como vivi e conduzi alguma vez sem isto!) e fui.
Dei por mim a fazer o mesmo percurso que tantas e tantas vezes fiz para o Palacete.
Virei antes. Estava atrasada.
Quando saí confesso que fiz o percurso mais longo. Queria vê-lo.
Sabia-o vazio. Tu estás algures em Seul. Parei à porta. Tudo escuro.
Tinha a pirata no carro, porque se não tivesse tinha estacionado e entrado. Sei os códigos todos (ironia de alguém que nem o seu número de telefone sabe)... tinha entrado e ido buscar a chave que sei perfeitamente onde está... teria acendido a luz da mesa da entrada (a da esquerda) e seguido para o escritório onde acenderia a luz da secretária.
Não iria logo para a sala porque estarias no escritório. Iria sentar-me na minha cadeira em frente à secretária e arrumar as canetas que certamente estão por lá espalhadas. Depois sim, depois iria à sala.
Acenderia o candeeiro alto que está entre as portadas que dão para o jardim e iria sentar-me na minha poltrona amarela. Penso que nessa altura fecharia os olhos e esperaria que chegasses, com aquela tua passada forte, que te dirigisses à aparelhagem e escolhesses música (hoje possivelmente a Nina).
Provavelmente terias trazido do escritório qualquer coisa para eu ler e ficarias sentado, na tua ponta do sofá à espera da minha reacção.
Era nesse momento que vocês chegavam e ocupavam os vossos lugares. O G. iria para a cozinha porque "tem de haver algo que se coma"... iríamos rir e esperar pelo inevitável "AH HA".. a noite continuaria entre petiscos\pratos, vinhos e conversas.. sérias ou pouco sérias, mas nossas, de clube privado onde não somos nada menos do que nós.
Este cenário formou-se em 20 segundos de contemplação do Palacete. Desci em direcção ao rio e não pude deixar de pensar: tanta falta me faz aquela casa com tudo o que me deu sempre...
1.2.18
Apanho o próximo...
Despertou-me a atenção porque ele se levantou num ápice e percebi que seria para apanhar o comboio do qual eu ía sair.
Mas voltou a olhar para ela e estendeu-lhe a mão que ela agarrou-a e aproveitou para o puxar para si novamente. Ele não se sentou, mas inclinou-se para a beijar. Riram-se depois do beijo e quando eu saí do comboio ele voltou a sentar-se ao lado dela, abraçando-a, desistindo daquele comboio...
Quase que aposto que também não apanhou o seguinte. Quase que aposto porque o meu mundo voltou atrás mil anos. Porque também eu namorei na estação quando o B. vinha de Cascais e eu ficava ansiosa à espera de um comboio que pelo que me parecia, não iria nunca chegar.
Mas chegava. Sempre na mesma carruagem o B. saía. Com aquele estilo de beto rebelde com o qual eu sempre gozei, mas sempre com um sorriso imenso. Éramos simples, ingénuos de alguma forma.
Passeávamos pela praia (quantas vezes íamos a pé até Cascais) e voltávamos.
O B. dizia que tinha de apanhar o comboio e íamos para a estação. Ali ficávamos os dois em namoro, encostados um ao outro e quando a sirene começava a tocar o B. levantava-se decidido a apanhar aquele... mas quando me estendia a mão eu também a agarrava e também a puxava para mim para o obrigar a beijar-me... aquela decisão toda de que tinha de ser aquele comboio, caía por terra, porque ficava novamente sentado ao meu lado a sorrir. A resposta à minha pergunta "não ías apanhar o comboio?", era invariavelmente (e a rir)"Apanho o próximo"...
25.1.18
31.12.17
17.18
Não costumo fazer balanços no Ano Novo.
Faço os balanços no meu ano novo.
Este ano foi uma revolução: mudanças, adaptações, encontros, reencontros, arrumações e desarrumações... partes resolvidas e outras nem por isso.
Segue a vida como sempre seguiu, cheia de si e do que é suposto trazer.
Venha um número novo no calendário.
Mundo! Estamos atentas! :)
22.9.17
Wuthering Heighs...
19.9.17
21.5.17
Azul
Não foi uma decisão simples... foi preciso muita coisa. Foi necessário tempo, espaço... sanidade, deliberação...
Sou uma pessoa de afectos, de raízes, de pessoas... desde que fui mãe que todo o afastamento me doía e me magoava de uma forma muito mais aguda do que antes.
O Médio Oriente não é uma zona fácil. A mentalidade é diferente, o estilo de vida, as pessoas, o clima... em nada se parece com a Europa o que torna tudo ainda mais complicado.
Não há céu azul. Há céu azul com uma camada de pó... assim simples. Não há céu azul.
Quando não há céu viramo-nos para onde?
É nessa altura que respiramos e enchemos os pulmões de ar e decidimos que precisamos de ir. A partir do momento em que decidimos tudo acontece... proposta de trabalho nos timings certos com as condições certas, obras, casa... deixar tudo entregue e a vida ali, resolvida.
Aprendi a todos os níveis. Cresci muito a todos os níveis. Estou grata pela oportunidade, mas há sempre um tempo para parar, para fechar.
O meu chegou ali ao fim e recomeça aqui. Confuso, cansada, em adaptação, mas feliz.
Há azul. Basta-me.
7.5.17
Mães e o dia delas...
Segundo dia da mãe como mãe.
Na verdade ainda acordo a pensar na minha mãe e que é o dia dela. Só depois é que me "cai a ficha" e me apercebo que já sou mãe. Que tenho a minha pessoa pequena que grita "mamã" (normalmente em loop!!!!!).
Quase todas as mães são as melhores do mundo. São nossas. O nosso porto seguro, aquela que nos conhece desde sempre, que acerta no nosso humor, nas nossas vontades... até ser mãe a ideia do exemplo (de ser exemplo), fazia me sentido, mas agora vejo que a minha filha começa a imitar me. Começa a fazer coisas que faço e que nem me apercebo que faço... quando a vejo fazer entendo que me imitou (ou ao pai).
A minha mãe é fantástica. Tem os seus lados menos brilhantes como todos, mas é extraordinária em força e determinação. Na forma como se dá aos outros, à vida... quando a vejo revejo a minha avó. Linda, enorme, cheia de vida.
A minha avó foi sempre o pilar de tudo. A cola, a força, a vontade. Foi a independência e a presença constante.
Se a minha mãe é a melhor mãe do mundo é porque teve o exemplo da melhor. Se eu conseguir ser parte do que é a minha mãe, talvez possa a minha filha dizer um dia que eu sou a melhor mãe do mundo (na verdade somos todas)!
Feliz dia da mãe e dos filhos por esse mundo fora. Um beijinho especial para quem já não a pode abraçar ou quem nunca conseguiu fazê lo. Esses sim, são dignos de uma admiração sem limites... "Quem tem uma mãe tem tudo"!
6.4.17
Resoluções
Uma das minhas resoluções de ano novo era não abandonar este blogue. Era escrever mais do que o ano passado.
O ano passado foi um ano diferente. Foi um ano cheio de tudo o que é novo. O amor é agora incondicional e absoluto, o cansaço maior, a responsabilidade,...
Foi um ano em que me senti perdida e achada, sozinha e acompanhada, forte e fraca. Nem sempre foi fácil esta dualidade, na verdade houve alturas muito pesadas e doridas.
Não sou de queixas e talvez por isso ainda não tenha vindo aqui escrever, porque só agora consigo olhar para o que foi e ver o quanto me superei e o orgulho que tenho nas minhas escolhas e nas minhas decisões.
Ganhei uma experiência incrível a todos os níveis que nunca me abandonará. Ficou provado mais uma vez que as minhas pessoas são sempre minhas e que não há distância que acabe com isso.
Começou a Primavera e com ela as limpezas. Tão bom!
Venha de lá o novo e as mudanças! Estou pronta!
