22.3.18

Com 14m de atraso..dia Mundial da Poesia


"Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento"

Sophia de Mello Breyner Andresen

15.3.18

Pasmo

Penso em como as pessoas nos surpreendem. Naquilo que pensamos e da forma como as vemos. Aquela inteligência que existe e que num ápice me faz exclamar "que burro!".

Penso no egoísmo e na dor que se causa aos outros e depois lembro me que tudo tem um propósito: Ajudar a fechar, a acabar, a encerrar.

O ser humano tem uma forma ridícula de aprender pela experiência e normalmente pela dor e pelo arrependimento... somos uns "tristes"..

A vida é feita de escolhas. Vivemos com o resultado delas. Sempre.

8.3.18

ZM

Dos regressos ao que fui um dia.
Um fim de semana a Sul.
Um rapto para um pôr do sol que quase não iria acontecer.
Anos de vida em 1h30.
Do que sempre foi fácil e ao mesmo tempo tão difícil.
Ao que seria fácil e que se mantém difícil.
À presença que se fez ausente, presente e ausente.
Ao que este mundo não permite e que outros provavelmente já conseguiram fechar.

A um festival à beira rio.
A um Arco em Lisboa por uma promessa.
Ao andar sem destino.
A fotografias eternas.

Às lareiras e aos medronhos.. "Na noite em que bebeste medronho..."

Dos vazios e dos suspensos..

"Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência" (Fernando Pessoa)

18.2.18

And here we were...

Hoje a festa da L foi no Restelo.
Pus a morada no GPS (não sei como vivi e conduzi alguma vez sem isto!) e fui.
Dei por mim a fazer o mesmo percurso que tantas e tantas vezes fiz para o Palacete.
Virei antes. Estava atrasada.

Quando saí confesso que fiz o percurso mais longo. Queria vê-lo.

Sabia-o vazio. Tu estás algures em Seul. Parei à porta. Tudo escuro.

Tinha a pirata no carro, porque se não tivesse tinha estacionado e entrado. Sei os códigos todos (ironia de alguém que nem o seu número de telefone sabe)... tinha entrado e ido buscar a chave que sei perfeitamente onde está... teria acendido a luz da mesa da entrada (a da esquerda) e seguido para o escritório onde acenderia a luz da secretária.

Não iria logo para a sala porque estarias no escritório. Iria sentar-me na minha cadeira em frente à secretária e arrumar as canetas que certamente estão por lá espalhadas. Depois sim, depois iria à sala.

Acenderia o candeeiro alto que está entre as portadas que dão para o jardim e iria sentar-me na minha poltrona amarela. Penso que nessa altura fecharia os olhos e esperaria que chegasses, com aquela tua passada forte, que te dirigisses à aparelhagem e escolhesses música (hoje possivelmente a Nina).
Provavelmente terias trazido do escritório qualquer coisa para eu ler e ficarias sentado, na tua ponta do sofá à espera da minha reacção.

Era nesse momento que vocês chegavam e ocupavam os vossos lugares. O G. iria para a cozinha porque "tem de haver algo que se coma"... iríamos rir e esperar pelo inevitável "AH HA".. a noite continuaria entre petiscos\pratos, vinhos e conversas.. sérias ou pouco sérias, mas nossas, de clube privado onde não somos nada menos do que nós.

Este cenário formou-se em 20 segundos de contemplação do Palacete. Desci em direcção ao rio e não pude deixar de pensar: tanta falta me faz aquela casa com tudo o que me deu sempre...

12.2.18


"...there were so many fewer questions
when stars were still just the holes to heaven..."

1.2.18

Apanho o próximo...

Hoje quando estava a chegar à estação vi-os.
Despertou-me a atenção porque ele se levantou num ápice e percebi que seria para apanhar o comboio do qual eu ía sair.

Mas voltou a olhar para ela e estendeu-lhe a mão que ela agarrou-a e aproveitou para o puxar para si novamente. Ele não se sentou, mas inclinou-se para a beijar. Riram-se depois do beijo e quando eu saí do comboio ele voltou a sentar-se ao lado dela, abraçando-a, desistindo daquele comboio...

Quase que aposto que também não apanhou o seguinte. Quase que aposto porque o meu mundo voltou atrás mil anos. Porque também eu namorei na estação quando o B. vinha de Cascais e eu ficava ansiosa à espera de um comboio que pelo que me parecia, não iria nunca chegar.

Mas chegava. Sempre na mesma carruagem o B. saía. Com aquele estilo de beto rebelde com o qual eu sempre gozei, mas sempre com um sorriso imenso. Éramos simples, ingénuos de alguma forma.

Passeávamos pela praia (quantas vezes íamos a pé até Cascais) e voltávamos.

O B. dizia que tinha de apanhar o comboio e íamos para a estação. Ali ficávamos os dois em namoro, encostados um ao outro e quando a sirene começava a tocar o B. levantava-se decidido a apanhar aquele... mas quando me estendia a mão eu também a agarrava e também a puxava para mim para o obrigar a beijar-me... aquela decisão toda de que tinha de ser aquele comboio, caía por terra, porque ficava novamente sentado ao meu lado a sorrir.  A resposta à minha pergunta "não ías apanhar o comboio?", era invariavelmente (e a rir)"Apanho o próximo"...

25.1.18

Lucky bastard!

Há sítios horríveis para se viver... depois há o meu... lucky me!

31.12.17

17.18

Não costumo fazer balanços no Ano Novo.

Faço os balanços no meu ano novo.

Este ano foi uma revolução: mudanças, adaptações, encontros, reencontros, arrumações e desarrumações... partes resolvidas e outras nem por isso.

Segue a vida como sempre seguiu, cheia de si e do que é suposto trazer.

Venha um número novo no calendário.

Mundo! Estamos atentas! :)

22.9.17

Wuthering Heighs...


Do vento lá fora... da Catherine e do Heathcliff... do primeiro dia do outono... deixar cair folhas... pensamentos... de reler, de ir buscar... de encontrar...



19.9.17

"All things appear and disappear because of the concurrence of causes and conditions.
Nothing ever exists entirely alone.
Everything is in relation to everything else."

21.5.17

Azul

Voltei a casa.

Não foi uma decisão simples... foi preciso muita coisa. Foi necessário tempo, espaço... sanidade, deliberação...

Sou uma pessoa de afectos, de raízes, de pessoas... desde que fui mãe que todo o afastamento me doía e me magoava de uma forma muito mais aguda do que antes.

O Médio Oriente não é uma zona fácil. A mentalidade é diferente, o estilo de vida, as pessoas, o clima... em nada se parece com a Europa o que torna tudo ainda mais complicado.

Não há céu azul. Há céu azul com uma camada de pó... assim simples. Não há céu azul.

Quando não há céu viramo-nos para onde?

É nessa altura que respiramos e enchemos os pulmões de ar e decidimos que precisamos de ir. A partir do momento em que decidimos tudo acontece... proposta de trabalho nos timings certos com as condições certas, obras, casa... deixar tudo entregue e a vida ali, resolvida.

Aprendi a todos os níveis. Cresci muito a todos os níveis. Estou grata pela oportunidade, mas há sempre um tempo para parar, para fechar.

O meu chegou ali ao fim e recomeça aqui. Confuso, cansada, em adaptação, mas feliz.

Há azul. Basta-me.

7.5.17

Mães e o dia delas...

Segundo dia da mãe como mãe.
Na verdade ainda acordo a pensar na minha mãe e que é o dia dela. Só depois é que me "cai a ficha" e me apercebo que já sou mãe. Que tenho a minha pessoa pequena que grita "mamã" (normalmente em loop!!!!!).

Quase todas as mães são as melhores do mundo. São nossas. O nosso porto seguro, aquela que nos conhece desde sempre, que acerta no nosso humor, nas nossas vontades... até ser mãe a ideia do exemplo (de ser exemplo), fazia me sentido, mas agora vejo que a minha filha começa a imitar me. Começa a fazer coisas que faço e que nem me apercebo que faço... quando a vejo fazer entendo que me imitou (ou ao pai).

A minha mãe é fantástica. Tem os seus lados menos brilhantes como todos, mas é extraordinária em força e determinação. Na forma como se dá aos outros, à vida... quando a vejo revejo a minha avó. Linda, enorme, cheia de vida.

A minha avó foi sempre o pilar de tudo. A cola, a força, a vontade. Foi a independência e a presença constante.

Se a minha mãe é a melhor mãe do mundo é porque teve o exemplo da melhor. Se eu conseguir ser parte do que é a minha mãe, talvez possa a minha filha dizer um dia que eu sou a melhor mãe do mundo (na verdade somos todas)!

Feliz dia da mãe e dos filhos por esse mundo fora. Um beijinho especial para quem já não a pode abraçar ou quem nunca conseguiu fazê lo. Esses sim, são dignos de uma admiração sem limites... "Quem tem uma mãe tem tudo"!

6.4.17

Resoluções

Uma das minhas resoluções de ano novo era não abandonar este blogue. Era escrever mais do que o ano passado.

O ano passado foi um ano diferente. Foi um ano cheio de tudo o que é novo. O amor é agora incondicional e absoluto, o cansaço maior, a responsabilidade,...

Foi um ano em que me senti perdida e achada, sozinha e acompanhada, forte e fraca. Nem sempre foi fácil esta dualidade, na verdade houve alturas muito pesadas e doridas.

Não sou de queixas e talvez por isso ainda não tenha vindo aqui escrever, porque só agora consigo olhar para o que foi e ver o quanto me superei e o orgulho que tenho nas minhas escolhas e nas minhas decisões.

Ganhei uma experiência incrível a todos os níveis que nunca me abandonará. Ficou provado mais uma vez que as minhas pessoas são sempre minhas e que não há distância que acabe com isso.

Começou a Primavera e com ela as limpezas. Tão bom!

Venha de lá o novo e as mudanças! Estou pronta!

2.1.17

2017

Ontem saíram estas. Venha 2017. Venha mais vida. Cá estamos e estaremos. Let's do this!

18.7.16

Ontem há 15 anos..

Ontem há 15 anos nasceu um bebé que me encheu a vida, o tempo e os braços. Ontem há 15 anos o nosso grupo passou a rodar à volta dos horários daquele bebé pequenino e cor de rosa.
A aldeia criou o bebé... uma miúda linda, atenta, meiga, divertida, inteligente, forte, compreensiva.. tens tantas qualidades e és tão especial que não me chega este corpo para o orgulho que tenho dentro por ter participado nesse teu crescimento.
Parabéns ao super hiper pai sempre e todos os dias pela dedicação e pelo exemplo. Não sabes como agora me é essencial lembrar me de ti tantas vezes ao dia e pensar "como é que ele fez isto sozinho?"!
Saudades aos milhões dos dois venha mais um ano cheio de sorrisos vossos!

18.5.16

O Zé merece um post

O Zé merece um post.

O Zé era dos meus amigos mais velhos. Não dos mais antigos, mas dos mais velhos. O Zé teria idade para ser meu avô. Ele era aliás um avô orgulhoso.

O Zé era Eng. Civil e adorava golf e ténis... ler, discutir, fazer...

O Zé nasceu em Angola e foi um self-made man (não sei a expressão em português). O Zé esteve na guerra. 

O Zé tinha histórias tão horríveis como maravilhosas. O Zé era um óptimo contador de historias. Dos melhores que já ouvi.

O Zé era o chamado "brilhante de cabeça". Adorava questionar tudo. Às vezes até irritava. Outras vezes era só (tão) bom.

Conheci o Zé com 19 anos e nunca mais desapareceu da minha vida. O Zé existia sempre. Estava sempre.

Discutimos muito. Ao início metia-me medo pelo pragmatismo e pela forma tantas e tantas vezes dura com que dizia as coisas. Depois frustrava-me porque me parecia que não me levava a serio. Conheceu me miúda e assumir que eu tinha crescido e que era capaz, foi um desafio. Consegui provar-lhe (acho!) que com o meu crescimento tinha vindo a responsabilidade e a segurança. Começámos a ver-nos mais de igual para igual.

O Zé tinha uma cabeça tão boa que se enervava com o tempo que as vezes demorávamos a chegar às conclusões a que ele chegava quase de imediato. Outras era preciso percorrermos tudo para que fosse ele a perceber que a conclusão dele não cabia naquilo que era necessário. 

Mas quando errava ou não acertava (acho que ele gostaria mais assim), assumia o erro. Não às claras, mas lá arranjava uma maneira, nem que fosse com um sorriso e um piscar de olho, que aceitava não ter visto o que devia ou feito o que era suposto.

O Zé tinha um sentido de humor extraordinário. Com poucas pessoas ri até chegar às lágrimas e com ele aconteceu várias vezes.

Era fácil ser amiga do Zé porque ele era um livro aberto. Era ao mesmo tempo muito difícil por isso mesmo. Podia haver apontares de dedo de parte a parte. Era às claras a olho nu, ao que fosse. Era sincero, era Amigo. Amigo significa isso, de dizer a verdade e de nos mostrar o que temos de mais e de menos bonito.

Deu-me tanto. Até nas discussões que me pareciam em vão de tão casmurro que era. Aprendi tanto com o método de puxar por algo que era aparentemente despropositado e que de repente ganhava sentido e nos fazia seguir.

O Zé esteve sempre, de “pedra e cal”. Nunca baixou braços, cabeça, desistiu. O Zé nunca se limitou a dizer. O Zé fez (“Ouve um tempo em que eu acreditei em palavras” – São Francisco de Assis).

Todos tivemos um tempo para nos enamorarmos do Zé.

O apelido do Zé era Guerra. E é essa a imagem que tenho... a de um guerreiro, até ao fim.

Não gosto de falar do Zé no passado. O Zé partiu ontem mas nunca se irá embora porque a marca que deixa é tão grande que isso não seria possível. Perdemos e gastamos tempo com tanto que não importa e o tempo escapa-se-nos e perdemos oportunidades de ver e dizer o quanto somos amados. O Zé era-o. Por tantos!

O Zé declamava poesia lindamente e fica aqui o último poema que tive o privilégio de o ouvir recitar. Como não há coincidências, nele o revejo tanto:

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também
.” Oswaldo Montenegro”

Obrigada querido Amigo por tudo e por tanto. Por tantas emoções que ficaram gravadas para sempre.

Ate já!

12.5.16

Dia dos anos...

Não é segredo que o dia dos meus anos é o meu dia mais feliz do ano.

Este ano, já deitada e antes de adormecer pus me a pensar no porquê  de me sentir assim. Neste dia não há nada que me aborreça, nada que me entristeça, é um dia de rainha. Bom. Limito-me a vivê-lo com um sorriso, cheia por dentro.

Relemebrei os meus aniversários. Aqueles de que me lembro e aqueles que estão registados em álbuns lá em casa (Obrigada mãe!). Sempre tive festa. Os meus pais sempre me fizeram festas. Sempre em casa.
Começou por ser isso eu acho. O dia em que os meus amigos vinham brincar na minha casa com os meus brinquedos. O dia de agradecer terem vindo e estado. O dia de agradecer os parabéns. 

Nos primeiros anos eram só os meus primos e os filhos dos amigos dos meus pais. Depois veio a infantil, a primária, o ciclo, o secundário, a faculdade e a vida profissional. Os meus amigos fizeram me duas festas de anos surpresa, uma delas nos meus 18 anos. Quase um baile, com raparigas de vestidos compridos e rapazes de fato e gravata...

Revendo mentalmente as minhas festas sorrio a pensar que há até hoje amigos desde a primeira festa e aqueles que desde que foram a primeira vez nunca mais falharam nenhuma. É nesses o foco... são os que estão sempre... a distância não me afectou ou prejudicou amizades. Só as fortaleceu.

Sou uma mimada insuportável pelos meus amigos que são muitos. Aqueles com provas dadas de amizade, aqueles que são quase um casamento, ultrapassam os dedos dos pés e das mãos. Sou uma sortuda. Diria a minha avó que não acreditava na sorte “alguma coisa deves ter feito!”..

Não é um dia igual aos outros como para muitas pessoas. É o meu dia. O dia em que eu nasci, em que eu recomeço. A passagem de ano é feita no meu dia de anos e não em Janeiro. Gosto de celebrar a vida neste dia, a minha que é boa, tão boa, mesmo quando o é um bocadinho menos.

Felizmente calha na Primavera e faço todas as limpezas de que preciso. Recomeço o ano com a "casa" limpa!

No ano em que estive em Madrid não afectou a distância porque fui passar o fds a casa e consegui jantar e fazer piquenique com os meus. O ano passado foi o primeiro longe de casa. Tal como este ano não deixou de ser um dia bom, especial, tranquilo e sereno. O ano passado estava grávida e a transbordar de felicidade, este ano já sou mãe e não há nada melhor. Descobri no dia dos meus anos que está a nascer o primeiro dente da minha filha e foi o melhor presente de anos.

Pegando no que dizia a minha avó de quem morro de saudades, “alguma coisa deves ter feito!”... Não sei o que terá sido, mas espero continuar a fazer o que quer seja que fiz para vos merecer. Obrigada pelos Parabéns e por todos os outros dias em que me dão sorrisos, me puxam as orelhas, me dão  abraços e me aceitam como eu sou. Boa pessoa ou menos boa pessoa, mas a mim.


Obrigada vida minha.

2.5.16

Dia da Mãe

Neste dia, o ano passado, eu já sabia que estava grávida. Não tínhamos contado a ninguém mas vivi-o intensamente. Já me considerava uma privilegiada por ter um bebé na barriga. Não sabia se era rapaz ou rapariga e nem me interessava. Queria muito ser mãe e no dia da mãe do ano passado já me sentia uma.

Sou mãe há 5 meses e uma semana. Tive uma gravidez e um parto abençoados. Não tenho traumas. Repetia tudo outra vez agora (pedia a epidural 2h antes, vá...).

Durante a gravidez tive medo de muitas coisas. Cada véspera de consulta e de ecografia eram stressantes. Principalmente antes de a começar a sentir... "e se há algo que não esta bem?" Esteve sempre felizmente. 

Mas os medos eram também outros: será que vou saber o que fazer? Será que vou ser boa mãe? Será que a minha filha vai ser feliz? Como e que vai ser a nossa vida? Estamos os dois sozinhos no Dubai, nenhum de nos tem qualquer experiência do que e ser pai/mãe, saberemos o que fazer? Será que vou conseguir gerir vida profissional, ser mãe, mulher, amiga, filha...?

Entretanto a minha filha nasceu. E aquele cliché típico do “quando a puseram em cima de mim”... mas foi. Foi avassalador. Se a amava aqui dentro, quando a vi e lhe toquei, lhe dei festinhas e lhe disse “olá bebé! Eu e que sou a mãe” fiquei cheia por dentro de um amor que todos os dias aumenta um bocadinho.

E assustador ser mãe. O que tem de maravilhoso tem de assustador. O saber que tenho de a deixar ser com a vontade que às vezes tenho de a ter cá dentro outra vez e de sermos só as duas, sem mais mundo, sem mais palpites, sem perigos...

Depois há o reverso... os risos e as conversas que temos as duas e aquilo que nos rimos os dois com ela. Por ela somos mais e maiores. Reinventamo-nos todos os dias. Revejo o que sou para que me torne aquilo que quero que ela veja e seja, pelo exemplo sempre.

Ser mãe é a melhor e mais completa experiência da vida e não tenho dúvida nenhuma disso. Melhor do que tê-la como minha filha é o imenso privilégio de ser mãe dela.

Os meus parabéns a minha mãe pelo exemplo e por tudo o que me deu e dá sempre e o meu obrigada a todas as minhas mães que com a experiência e a conduta me inspiram e me mostram que se for feito com e por amor, está sempre bem feito.

Uma homenagem as mães que o são sozinhas porque o escolheram ou porque a vida assim o quis. Se já é difícil partilhar tudo com o progenitor, sem apoio seria ainda mais aterrorizador.

Há um ano não tinha a menor noção do que é ser mãe. Ainda não tenho, mas do que sei até agora... não há nada melhor!


PS: Eu sei que o dia foi ontem, mas o cliché do "vais deixar de ter tempo para as tuas coisas" também é muito verdade e por isso só consegui vir rever isto e publicar hoje!

13.3.16

Recuperar

Não tenho um blog temático. Não tenho seguidores fixos (penso eu, porque se os tivesse já teriam desistido de me ler), nem pretendo conquistá-los.

Este blog começou quando eu estava em Erasmus porque era a forma mais prática de informar os meus, de como estava e de como ía vivendo. Quando fiz Erasmus (nem vou contar os anos porque me vai doer), ainda não havia internet em casa, tinha cyber cafés e a faculdade. Não queria perder muito tempo a mandar emails aos meus variados grupos de pessoas e o blog uniformizou isso de alguma forma.

Sempre gostei de não ter prazos para escrever, dias, pressão. Percebi que o ano que passou foi o ano em que menos escrevi, mas que a frequência de posts tem diminuído. Penso que o facto de todos termos agora skype e whatssapp acaba por reduzir a necessidade de escrever o que se vai passando, já que quase de imediato, chego a quem quero chegar, mando fotos, partilho ideias, etc...

O ano passado foi cheio em mudanças e pegando no post anterior, não faz muito sentido ter passado 9 meses grávida e não ter nenhuma referência a esse estado. Primeira gravidez, primeira experiência de vida virada ao contrário. Poderia ter aproveitado para escrever, mas vivi tanto este bebé e as transformações todas que se sucediam que não me apeteceu.

Um filho muda tudo. É cliché porque é verdade.

Hoje uma das minhas melhores amigas foi mãe. Hoje a minha irmã deu entrada no hospital para que nasça a minha sobrinha.

Não quero que este blog seja um blog de bebés, nem de mães, mas a verdade é que a maternidade é um mundo e a vontade de escrever sobre isso, agora que estou mais encaixada na realidade é muita.

Não sei quando vou escrever mais nem sobre que tema. Esta liberdade de blog é óptima!

1.1.16

2015-2016


2015 foi um ano de mudanças... mudei de país, de continente, de trabalho, de equipa, de ambiente,... a maior mudança foi Ela... 39 semanas e dois dias... o maior amor de sempre!




Venha 2016... a maior aventura da minha vida já começou há um mês e 7 dias!