28.12.12

... Há por aqui uma pausa.
Não devia falar nisto outra vez. Principalmente porque voltaste e rapidamente tiveste de ir embora outra vez e mais uma vez fiquei eu nesta coisa de pendência de ti, que não me dói, mas que pesa.

Porque é de facto à vez. Uma vez sim e outra não. Aquela coisa de bem-me-quer, mal-me-quer. Sei que me queres bem, mas o vazio que me cria a ausência é um mal.

Porque a vez de ter muito é muito grande e muito cheia.

São muitas horas de conversa fiada e por fiar, de gargalhadas e de partilha. De te (nos) querermos bem...

Mas é à vez... e de vez em quando vou voltar a falar de ti... porque as vezes de estares na minha vida enchem-na... E não, não podes saber de nada disto!

12.12.12

Daqueles momentos em que o dia cinzento fica cheio de sol, só porque um comentário está repleto de cumplicidade e a tua gargalhada confirma que existimos os dois, no matter what, sempre e para sempre!

Tão bom!

15.11.12

Desassossego I

«Vive a tua vida. Não sejas vivido por ela. Na verdade e no erro,no gozo e no mal-estar, sê o teu próprio ser. Só poderás fazer isso sonhando, porque a tua vida real, a tua vida humana é aquela que não é tua, mas dos outros. Assim, substituirás o sonho à vida e cuidarás apenas em que sonhes com perfeição. Em todos os teus actos da vida real, desde o de nascer até ao de morrer, tu não ages: és agido; tu não vives: és vivido apenas.


Torna-te, para os outros, uma esfinge absurda. Fecha-te, mas sem bater com a porta, na tua torre de marfim. E a tua torre de marfim és tu próprio.

E se alguém te disser que isto é falso e absurdo não o acredites. Mas não acredites também no que te digo, porque se não deve acreditar em nada.»



FP - Livro do desassossego!

13.11.12

PUM

A minha cabeça está a explodir...

Se fizer pum e sujar imensas coisas é tudo normal...

"Temos pena"... estou a atingir o ponto de saturação e do "Basta"... era isto!

7.11.12

Enamoramento

Fascinas-me tanto que se soubesses como isso me alimenta não te ías embora.

Fascina-me a forma como te expões e argumentas... a colocação das frases e a tónica certa em cada palavra.

Os momentos das pausas e os tempos próprios para respirar, rir, gargalhar ou simplesmente ganhar impulso para outra ideia, outra lembrança.

Fascina-me como me perco nas tuas mãos e nos teus gestos. O pôr os óculos e o pousar em cima da mesa... Os trajeitos de cabeça e o teu olhar sempre atento, sempre curioso, sempre em busca de algo mais para criar...

Fascina-me a tua criatividade, as tuas ideias e tudo o que às vezes te decorre de uma palavra.

Fascinam-me desmesuradamente as tuas histórias... a tua vida. Cada bocadinho do que por ti foi vivido.

Estou (sou) enamorada de ti... muito mais do que paixão, vivo num estado de enamoramento que começou... e não acabou naquele abraço em Sta. Apolónia num dia em que casaram principes e em que apesar das ameaças a chuva só caiu (e como caiu!) quando o comboio desapareceu da estação...

Este novo abraço não serviu para compensar aquilo que foi um ano, seis meses, cinco dias e 23 horas e 47 minutos em que te demoraste...quem é que esteve a contar?

E não me interessa minimamente se o motivo que te faz ir embora outra vez é amor, trabalho, objectivos por realizar, ou tudo ao mesmo tempo...

Interessa que vais e que eu já fiquei sem ti tempo bastante.

26.10.12

Estado de confusão assumido...

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é "...

(Fernado Pessoa)

25.10.12

resumo

Um dia exagero tudo e ganho espaço para enfiar tudo o que não tenho...

Perder-me por aí e não pensar que falhei. Ou que ganhei... No fundo a confusão do que não tenho também não se sobrepõe ao que tenho.

Passou-se tempo... desinfectaram-se feridas... Não estão curadas, mas não mais infectadas e não ando envenenada.

Ía matando uma Barbie... sou humana... o gin não ajudou.

Ouvi quando a Nina cantou "My lover just cares for me" e pensei "onde é que ele está?" e ri-me... estás?

Fiz uma tarte de limão merengada que não provei porque não sou fã de doces, mas que desapareceu numa noite.

E descalcei-me na relva do jardim quando estava molhada. E pus os pés na piscina, até aos joelhos enquanto verbalizava palavrões por causa do frio que estava.

Mas acordou-me. E os meus olhos nunca estiveram fechados.

19.10.12

Estou a antecipar:

  • o cheiro da terra molhada no jardim;
  • a minha poltrona amarela;
  • as minhas meias às riscas;
  • o meu gin tónico (os meus);
  • o Keith;
  • o Miles; 
  • o Coltrane;
  • a Nina;
  • a Ella;
  • o Tom;
  • a Elis;
  • o Chico;
  • algumas asneiras em tons de desabafo;
  • discussões políticas, económicas, artisticas;
  • partilha de vida, romances, trabalho;
  • algumas lágrimas;
  • algumas gargalhadas;
  • abraços;
  • mimos...
Estou a criar expectativas e é mesmo bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

18.10.12

Ler!

"Para entreter curiosidades, o velho Alfredo oferecia livros ao menino e convencia-o de que ler seria fundamental para a saúde. Ensinava-lhe que era uma pena a falta de leitura não se converter numa doença, algo como um mal que pusesse os preguiçosos a morrer. Imaginava que um não leitor ia ao médico e o médico o observava e dizia: você tem o colestrol a matá-lo, se continuar assim não se salva. E o médico perguntava: tem abusado dos fritos, dos ovos, você tem lido o suficiente. O paciente respondia: não, senhor doutor, há quase um ano que não leio um livro, não gosto muito e dá-me preguiça. Então o médico acrescentava: ah, fique pois sabendo que você ou lê urgentemente um bom romance, ou então vemo-nos no seu funeral dentro de poucas semanas. O caixão fechava-se como um livro."

                                         Valter Hugo Mãe ( "O filho de mil homens")


BINGO!!!!!!!

8.10.12

Saudades

O que as saudades fazem ao que era amor...

Trocam os tempos, as memórias e as lembranças... perguntamo-nos se foi mesmo tudo aquilo...foi?

Foi mais? Foi menos?

Foi muito, tanto, completo... perto da perfeição... e agora? Agora temos vida... diferente... num ritmo próprio e com falta de fé... Falta de fé no amor, naquele que sempre existe, mas que agora não pertence...

5.10.12

Infância




Hoje estive aqui.

Tive uma reunião perto desta casa e fiz-me à estrada para tentar encontrá-la.

É a casa da infância.

Foi nesta piscina que nadei com os meus primos e irmãos... era nesta praia que brincávamos dentro das grutas quando a maré estava cheia... os degraus deram muitas fotografias... Subimos e descemos muitas e tantas vezes para ir jantar, para ir para a praia, para ir ao café...

Corríamos para apanhar a carrinha do pão de manhã, fugimos pela janela para ver o sol nascer... faziamos autênticas apresentações teatrais ensaiadas, maquilhadas, com figurinos...

Raramente penso nesta casa. Mas é bom saber que as coisas boas que se vivem são nossas. As memórias, as emoções... o que foi e que não mais será, será sempre, porque é nosso e foi vivido por inteiro.

E eu vivi!

28.9.12

Há ausências... vontades nulas, abafadas e sem nexo.

Depois começou o Outono, tempo de recolher, de deixar cair...

Cascas, folhas, venha o que vier... a preparação para o frio, para o mau tempo e para um caminhar lento... fico sempre lenta, resistente neste tempo...

Seja!

21.8.12

Curiosidades

É curioso como acabamos por voltar sempre a algo que nos fez feliz... talvez se evite durante algum tempo porque é preciso respirar.

É possível que o afastamento seja necessário por mil e uma razões... válidas ou pouco válidas. No entanto... é um facto que vicia a facilidade e a simplicidade das coisas.

Porque já foi complicado e depois descomplicou... e descomplicou porque há afastamento e distância.

Mas depois há o "sabor a casa" o "saber a ti" que é bom. É confortável. É jogar do mesmo lado do campo, com as mesmas piadas e as mesmas conversas... é simples ser e estar e é isso que me faz feliz.

É curioso como no decorrer dos anos (e já são muitos...) se aprofundam as pessoas, os comportamentos... mas se aprofunda também o que já era, porque é e será... feliz ou infelizmente simples!

Feliz... felizmente simples e confortável... curioso!

8.8.12

Tudo...(pela Sophia)

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


(Tudo - Sophia de Mello Breyner Andresen)

Suspenso!

Era só o silêncio... um silêncio fixo, preso...

O Mundo estava pronto. Preparado. Cada coisa na posição certa à espera do início. O Sol, a Lua, as marés... tudo esperava.

O Mundo inteiro estava preparado e suspenso.

Era a isso que se agarrava. Ao tempo suspenso...


7.8.12

Faltas

Não se sente a falta do que não se tem.
Ela pelo menos não a sentia... Sentia sim que precisava de respirar e de reconquistar.. Pensando bem não havia nada que reconquistar, só um espaço vazio que precisava de preencher.

O problema é que para encher o espaço, ela só queria o que antes lá estava, porque mesmo que não fosse perfeito, era a perfeição naquilo que ela pensava que era.

"It's an idea in your head"... talvez... e talvez a ideia mude. As ideias mudam? Ou mudam as pessoas... as vontades?

Não importa agora... importa que o que existia deixou de existir e por muito que as coisas boas da sua vida se mantivessem e até novas fossem aparecendo, ela perdeu uma parte, uma peça que encaixava e que não sabe como substituir.

Não se sente a falta do que não se tem, mas sente-se a falta do que se tinha e agora não se tem... isso sim... dói.

17.7.12

11

O dia 17 de Julho faz-me sempre parar.

Há 11 anos atrás espreitei pela porta de um quarto na maternidade e vi um bebé de cara redonda vestido de amarelo.

Tinha as mãos fechadas e encostava-as entre as bochechas e os olhos. Mas estes estavam abertos. Era estranho ver um recém-nascido com os olhos abertos, mas aquele sempre os teve abertos e grandes.

O pai babava com aquele novelo amarelo ao colo. Nunca teve medo de lhe pegar, de ser desajeitado. Era dele... sempre foi dele e tudo era natural.

Lembro-me de ter dado um beijinho na mão que era metade do meu dedo mindinho e de ter saído... aliás... de termos saído todos com a sensação estranha de que a nossa vida tinha mudado.

O bebé não era nosso, não havia motivo para nos sentirmos assim.

Mas havia. A Mia tomou conta das nossas vidas e das nossas rotinas nos anos que se seguiram. Pensavamos logisticamente para que pudesse andar connosco para todo o lado. Revezavamo-nos quando chorava por causa dos dentes e das cólicas..

Foi um bebé, foi uma criança, uma menina e agora está quase pré-adolescente.

Faz hoje 11 anos que nasceu um ser-humano extraordinário que me tem ensinado a ser paciente, terna, atenta, protectora... a conhecer limites e a deixar que os testem... a Mia sempre me permitiu dar e ser mais, porque ela dá e é mais todos os dias.

Este ano pediu para ir a Florença porque queria ir a Itália comer pizzas e ver quadros... E o pai foi.

E quando lhe cantei os Parabéns de manhã "tanti aguri a te" riu-se, com aquele riso contagiante e disse "grazie" e rimo-nos as duas porque temos onze anos de vida uma da outra guardados dentro.

Parabéns sempre a ti Super-Pai que tudo fazes para que continue a ser fácil e lindo.

Grazie a ti pequena grande pessoa que mudaste a minha vida! Ti voglio tanti benne!

(Até 6ª)

12.7.12

Não dá para não pensar em como tudo acaba.

Independentemente da duração, tudo acaba um dia. Por vezes esse dia em que tudo acaba é muito próximo daquele em que começa. Outras é bem longe.

Mas acaba. Tudo acaba.

Gostava de conseguir aceitar o "acabar" com a mesma facilidade com que aceito o "começar".

...

Depois há o tempo... e isso é toda uma outra (hi) estória...